terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Bolo Rei

Hoje é dia de Natal e a sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, a última que lhe propomos, não podia deixar de ser o Bolo-Rei.
O bolo rei nasceu na Confeitaria Nacional, sendo a sua receita secreta seguida rigorosamente desde meados do séc. XIX. Foi inspirado no gâteau des rois, cuja receita, trazida de França pelo filho do fundador, foi modificada por vários mestres confeiteiros.
Sabia que em 1911, depois da proclamação da República, houve uma proposta em sessão parlamentar para alterar o seu nome para bolo república?
A massa do bolo rei é levedada por ação de um fermento que é um micróbio vivo - a levedura Saccharomyces cerevisae - identificada e estudada por Pasteur no séc. XIX. Num processo chamado fermentação, que ocorre na ausência de oxigénio, a levedura alimenta-se dos açúcares existentes na massa do bolo e produz o gás dióxido de carbono, responsável pela sua leve textura, etanol e muitas outras substâncias que conferem ao bolo um sabor e aroma de fazer crescer água na boca.

Tenham um Óptimo Natal


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Química das Lentes de Contacto


O programa de hoje mostra a química escondida mesmo à frente dos nossos olhos… literalmente: a química das lentes de contacto!
As primeiras lentes de contacto eram umas desconfortáveis rodelas de vidro que cobriam grande parte do olho, podendo ser usadas apenas por algumas horas.
Aparecem depois as lentes de polímeros sintéticos – ou de plástico. Mais tarde, tornaram-se populares as lentes de poli-metilmetacrilato – que é como quem diz “acrílico”. Eram já mais pequenas, adaptadas apenas à córnea, mas eram muito rígidas, desconfortáveis e pouco estáveis. Era frequente ver os seus utilizadores de gatas a procurá-las pelo chão.
Este problema foi resolvido através de uma modificação química: o poli-metilmetacrilato foi substituído pelo poli-hidroxietilmetacrilato, um grande palavrão que significa um acrílico igualmente resistente e transparente, mas muito mais maleável.
Mas, não estava resolvido o que era então o principal problema das lentes de contacto: serem impermeáveis ao oxigénio.
A córnea não tem vasos sanguíneos, e portanto não é o sangue que fornece os nutrientes e o oxigénio às suas células. Os nutrientes são transportados pelo líquido lacrimal e pelo humor vítreo do interior do olho, enquanto o oxigénio chega às células da córnea diretamente através do contacto com o ar. Sendo totalmente impermeáveis ao oxigénio, as lentes de acrílico só podiam ser usadas por algumas horas.
Mais recentemente, os laboratórios químicos desenvolveram a solução para este problema: o hidrogel, um material gelatinoso formado por uma rede de polímeros insolúveis que contém grandes quantidades de água. Este material altamente hidratado é bastante confortável para os olhos e, sobretudo, é permeável ao oxigénio do ar. Deste modo, as lentes de contacto atuais já podem ser utilizadas por longos períodos.
Longos períodos com a química mesmo à frente dos olhos!

Episódio da série A Química das Coisas

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Bife à Marrare

A sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva é hoje um famoso bife.

O bife à Marrare é dos mais famosos de Lisboa: um bife do pojadouro frito em manteiga, com molho de natas e servido com batata frita. Foi o italiano António Marrare que em 1804 criou a receita no café “Marrare das Sete Portas”. Cozinhar um bom bife exige “mão de mestre”. Com a subida da temperatura, as proteínas das fibras musculares do bife alteram-se, ligam-se entre si e encolhem, expulsando os seus “sucos” - considerados por Brillat-Savarin como a “alma da carne”- ficando o bife rijo e seco. Por outro lado, a superfície do bife tem que atingir temperaturas elevadas para que aí ocorram as reações químicas de Maillard, responsáveis pela sua cor e sabor inconfundíveis. O segredo reside em levar a cabo as reações de Maillard e manter o interior suculento. No Café de S. Bento pode encontrar o famoso bife confecionado segundo a receita original.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A Química e as Decorações de Natal

As decorações de Natal também podem servir para aprender química, já que esta pode ajudar a fazer originais decorações de Natal.

Uma solução de reagente de Tollens, uma solução de um açúcar redutor, por exemplo glucose, um balão e num intante obtemos uma bola de Natal prateada e gigante.

 
 Imagem DAQUI

Veja aqui como fazer:


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Quem quer fava-rica?

O tempo está frio, sendo bem apropriada, e pouco comum, a sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.


Vendida nas ruas da Lisboa antiga por mulheres que, de panela à cabeça, a anunciavam gritando um dos últimos pregões lisboetas, a fava-rica era uma sopa de fava seca muito nutritiva e apreciada. As leguminosas, de que a fava é um exemplo, têm um alto teor de proteínas devido à simbiose com as bactérias Rhizobium do solo. Estas bactérias, alojadas nas raízes das plantas, convertem o azoto do ar em compostos que as leguminosas usam para produzir proteínas. Em vários locais do mundo, as leguminosas têm sido uma importante alternativa a fontes de proteína animal. A prová-lo está o facto de muitas proeminentes famílias romanas da antiguidade terem tido o nome das leguminosas mais comuns: Fabius (fabae - fava), Lentulus (lenticula - lentilhas), Piso (pisae - ervilha) e Cicero (cicer - grão de bico). Apesar da fava-rica ter desaparecido das ruas de Lisboa, ainda há recantos onde pode provar a receita original, como é o caso do restaurante Forno do Alfarrabista na Mouraria.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ginjinha

Hoje a sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva é uma bebida bem típica.

Ginjinha... com ou sem elas. “Elas” são as ginjas, que podem ou não ser servidas com a ginjinha - delicioso licor com seculares tradições. No “Elogio da Ginja” de Paulo Moreiras, edição Quidnovi, diz-se que, “por ser um produto de fabrico dispendioso, […] cedo se tornou uma bebida da classe burguesa, tendo depois, pouco a pouco, começado a aparecer pelas tabernas e botequins, ganhando um cariz marcadamente nacional, especialmente da boémia lisboeta, onde poetas e fadistas utilizaram a ginja nas suas criações.” Um bom exemplo é o fado “Vou dar de beber à dor” de Amália Rodrigues. A ginja, Prunus cerasus, é oriunda da Ásia Menor tendo-se disseminado pela Europa. Por se tratar de um fruto não climatérico, deve ser colhido num bom estado de maturação, uma vez que não amadurece fora do ramo. Em Lisboa, não deixe de provar uma ginjinha num dos locais de culto da zona do Rossio.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Química dos Cereais de Pequeno Almoço


Sabemos que o ferro, um dos elementos químicos mais abundantes na Terra, é essencial à vida e a sua carência pode provocar anemia, fadiga, perda de apetite, tonturas, problemas de crescimento e muitos outros problemas de saúde.
A Organização Mundial de Saúde recomenda a ingestão de cerca de 15 mg de ferro por dia. Evidentemente, isto não significa comer pregos ou parafusos, mas sim consumir alimentos ricos em iões de ferro –a forma como este elemento aparece nos organismos vivos.
Embora ninguém pense em comer pedaços de ferro para melhorar a sua dieta, a verdade é que muitos o fazem sem saber, e logo ao pequeno-almoço! De facto, os fabricantes produzem os flocos de cereais ricos em ferro adicionando-lhes minúsculos pedaços de ferro metálico. Sim, é verdade: cereais com uma pitada de limalha de ferro, uma delícia!
Se quiserem comprovar isto em casa, basta triturar uma porção de flocos de cereais num pouco de água e passear um íman pela pasta assim formada. Ao fim de algum tempo, o íman estará coberto com as pequenas partículas de ferro que foram adicionadas aos cereais.
Mas não se assustem, porque os químicos sabem há muito que os pequenos pedaços de metal são literalmente desfeitos no ambiente ácido do estômago, através da sua oxidação, que os converte numa forma de ferro utilizável pelo organismo – os tais iões de ferro…
E assim, temos a química a cuidar da nossa saúde, logo nas primeiras horas da manhã!

Episódio da série A Química das Coisas

domingo, 11 de novembro de 2012

Quentes e boas!

Como é dia de S. Martinho, aqui fica a sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.


O cheiro das castanhas assadas lembra que o outono chegou! É fácil encontrá-las em carrinhos fumegantes pela cidade. A castanha, introduzida na Europa há 3000 anos, é uma semente que surge no interior de um ouriço - o fruto do castanheiro (Castanea sativa). No séc. XVII era parte da alimentação básica de beirões e transmontanos. As castanhas são um petisco! Para as cozinhar tem que se lhes retalhar a casca, mas já pensou porquê? Cerca de metade do peso das castanhas é água. Quando estas são aquecidas, a água transforma-se em vapor que pressiona a casca da castanha fazendo-a explodir.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Bacalhau à Braz

E que tal um Bacalhau à Braz? É esta hoje a sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.


Diz-se que em Portugal existem 365 formas de cozinhar bacalhau. Uma das mais famosas, o bacalhau à Braz, é uma receita bem alfacinha. De facto, o bacalhau à Braz nasceu em Lisboa, mais propriamente no Bairro Alto, como resultado da criatividade de um taberneiro de nome Braz.
A pesca do bacalhau-do-Atlântico Gadus morhua pelos portugueses aparece pela primeira vez referenciada em meados do séc. XIV e, desde então, esta espécie passou a ter um papel predominante na alimentação lusitana, tendo recebido a alcunha de “fiel amigo”. Pescado em mares longínquos, o bacalhau tinha que ser conservado recorrendo à salga. Neste processo o peixe perde água, impedindo o desenvolvimento dos micróbios que geralmente provocam a degradação dos alimentos. Durante a salga ocorrem ainda alterações químicas das moléculas do peixe, das quais resulta o sabor que todos apreciamos.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Química dos Impermeáveis


Com a aproximação dos dias de chuva, os casacos impermeáveis voltam a sair dos armários. E com eles, mais um dos confortos que temos a agradecer ao desenvolvimento da química.
A sua origem remonta pelo menos ao Século XIII, aos indígenas da América do sul que cobriam as roupas com látex para os tornar impermeáveis. A ideia foi importada pelos europeus, mas o sucesso não foi imediato: os primeiros impermeáveis eram pesados, desconfortavelmente rígidos e devido ao solvente utilizado para espalhar  a cobertura do latex sobre os tecidos eram sobretudo, bastante mal cheirosos.
O desenvolvimento da química de polímeros permitiu que os impermeáveis se  fossem tornando cada vez mais leves, flexíveis e inodoros.
Mas, a qualidade mais notável dos impermeáveis modernos é que, também  permitem a transpiração da pele, isto é, impedem a entrada da água da chuva, mas permitem a saída do vapor de água libertado pela transpiração.
Este efeito é obtido através da criação de estruturas com minúsculos poros, por onde as gotas de água não entram, mas as moléculas de vapor de água ( isoladas) podem passar facilmente.
Os modernos tecidos impermeáveis arejados são obtidos com duas camadas de polímeros de propriedades diferentes: uma primeira camada de um polímero micro poroso hidrofóbico, ou seja, que repele a água; e uma camada de poliuretano, que fica virada para dentro, mais próxima da pele que é hidrofílica, ou seja, atrai a água e absorve a humidade que se liberta da pele.
Depois, entra em ação um pouco de termodinâmica: a diferença de temperatura entre o lado de dentro e o lado de fora cria as condições necessárias para que as moléculas de água absorvidas pelo poliuretano sejam empurradas para o exterior.
Se vestir um impermeável e se sentir como se estivesse numa sauna, então é porque ele ainda não está a tirar partido do desenvolvimento da química dos polímeros.

Episódio da série A Química das Coisas

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Ir às iscas

Uma boa sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.


O alfacinha do início do séc. XX ia às iscas. Comi-as com elas ou sem elas, ou seja, com ou sem batatas. Diz, Albino Forjaz de Sampaio em “Volúpia – a Nona Arte: A Gastronomia” que as de uma casa na Trav. do Cotovelo eram afamadas. As ultra-finas fatias de fígado eram cozinhadas numa enorme frigideira de ferro por cozinheiros galegos. Nunca se lavava a frigideira, “a não ser de anos em anos, quando os cozinheiros iam à terra, para deixar mal parados os créditos do substituto”.
O ferro tende a enferrujar, o que dá à comida um sabor desagradável. Mas ao se aquecerem os recipientes com óleo, este polimeriza formando uma camada protectora que evita o contacto com a água, e assim a ferrugem. A lavagem frequente removê-la-ia…
Ainda hoje é possível prová-las um pouco por toda a cidade. Procure-as nas tascas de Lisboa.
(versão integral)



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A Química do Descafeinado


O “descafeinado” é mais um bom exemplo da presença da Química no nosso dia a dia.
O primeiro processo para  obter o café descafeinado passava por lavar os grãos de café com um solvente orgânico  - idêntico aos solventes das tintas e vernizes – que dissolvia bem a cafeína…  mas que dissolvia também os compostos que dão aroma e sabor ao café, deixando-o…sem aroma nem sabor! Além disso, havia sempre o perigo da presença de resíduos do solvente nos grãos, com os consequentes efeitos nefastos para quem procurava esta forma supostamente mais saudável do café.
A situação mudou com a descoberta dos fluidos supercríticos e das suas propriedades como solventes.
Explicando melhor, vamos falar das alterações de estado da matéria com a pressão e a temperatura. Por exemplo, à pressão e temperatura ambiente, o dióxido de carbono é um gás, mas com o aumento da pressão pode passar a líquido, e se baixarmos a temperatura passa a sólido. Se aumentarmos a temperatura e a pressão, atinge um novo estado, o de fluido supercrítico – passando a apresentar propriedades de líquido e de gás. Ou seja, um gás com a densidade de um líquido.
Hoje em dia, a cafeína é retirada do café por lavagem com dióxido de carbono supercrítico, em condições em que este dissolve a cafeína, mas não os aromas do café.  Quando o café, já descafeinado, regressa à pressão ambiente, todos os resíduos de dióxido de carbono se evaporam. E mesmo que alguns vestígios permaneçam, não representam qualquer problema para a saúde,  já que o dióxido de carbono faz parte do nosso metabolismo.
Assim, graças aos desenvolvimentos da Química, os consumidores podem saborear o gosto e o aroma do café sem os efeitos prejudiciais da cafeína.

Episódio da série A Química das Coisas

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pastéis de Belém

O que é doce, nunca amargou! Aqui fica mais uma sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.


Muitos são os doces que provêm dos antigos conventos de Lisboa, mas poucos são tão apreciados como os famosos pastéis de Belém. Estes pastéis começaram a ser vendidos junto ao mosteiro dos Jerónimos, na sequência do encerramento dos conventos após a revolução liberal. Desde 1837 são fabricados nas atuais instalações segundo a secreta receita original oriunda do convento. Fundamental no pastel é a “caixa” de massa folhada, engenhosamente colocada nas formas para que se formem finíssimas camadas concêntricas. Torna-o possível o glúten, uma rede de proteínas da farinha que fortalece as camadas. Para que estas se formem, a massa é repetidamente esticada, com manteiga entre camadas, depois o calor, o ar e o vapor de água completam o trabalho.

sábado, 6 de outubro de 2012

A Química do Sal


Quando pensamos nos compostos químicos que contribuem para o bem-estar da humanidade, raramente nos lembramos do cloreto de sódio… o vulgar “sal de cozinha”. Na verdade, o sal é um dos compostos químicos há mais tempo utilizado pelo Homem pela sua capacidade para conservar alimentos, o que o tornou numa mercadoria de elevado valor.
De facto, a conservação dos alimentos pelo sal é uma das bases da nossa civilização, pois permitiu libertar o homem da dependência sazonal dos alimentos e armazenar durante o verão as reservas alimentares para o inverno.
A adição de sal a um alimento desencadeia um processo de osmose, que faz com que a água passe de um ambiente com uma menor concentração de sal para um com maior concentração. Assim, o sal retira a água dos alimentos, inibindo o crescimento de micro-organismos. Estes micro-organismos, que causam o apodrecimento dos alimentos e produzem toxinas que afetam a nossa saúde, não sobrevivem num de elevada pressão osmótica, isto é, que lhes rouba a água por osmose.
O cloreto de sódio é também um componente alimentar essencial ao funcionamento do nosso organismo. A dissolução do “sal” origina iões sódio e iões cloreto, os quais estão presentes em todos os tecidos e fluidos do corpo humano, onde desempenham funções muito diversificadas. Só para citar as mais importantes, são essenciais para o equilíbrio osmótico entre os fluidos celulares e extracelulares, garantem o equilíbrio entre iões positivos e iões negativos no organismo e têm um papel relevante na transmissão de impulsos nervosos por todo o corpo.
Mas em excesso, o sal pode trazer-lhe complicações de saúde. Não ultrapasse a ingestão dos 6g diários recomendado pela Organização Mundial de Saúde se quiser beneficiar da química do sal!

Episódio da série A Química das Coisas

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Peixinhos-da-horta

Para incentivar à descoberta dos mercados de Lisboa, aqui fica mais uma sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.

 Os apetitosos peixinhos-da-horta, de peixe nada têm. O seu nome deriva provavelmente da sua semelhança com pequenos peixes fritos. Feitos com feijão-verde cozido, passado por um polme (mistura de farinha com ovo e água) e fritos, os peixinhos-da-horta tanto são um tradicional acompanhamento lisboeta, como também um bom petisco.
Aventure-se! Experimente fazê-los… É uma boa desculpa para visitar os mercados de Lisboa, como o famoso mercado da Ribeira. Mas damos-lhe um conselho: não deixe o óleo da fritura atingir uma temperatura muito elevada, porque isso provoca a alteração da sua estrutura molecular, formando-se substâncias prejudiciais para a saúde. Já agora, sabia que a tempura foi introduzida na cozinha japonesa por missionários portugueses? Provavelmente foram os simples peixinhos-da-horta que estiveram na origem deste popular prato japonês.

sábado, 15 de setembro de 2012

A Química do Verniz das Unhas


O verniz para as unhas é um exemplo interessante quando se quer mostrar a importância da química no nosso dia a dia, através de exemplos inesperados…
Pois bem, sabia que os vernizes para as unhas são uma verdadeira receita química estudada ao pormenor? Quer ver?
Além da nitrocelulose que começou por ser usada em tinta para automóveis e que forma películas resistentes e de longa duração, temos ainda:
- polímeros adesivos (resinas), para garantir a boa adesão da nitrocelulose à superfície da unha;
- plastificante, embebido entre as cadeias do polímero, para tornar a película flexível, evitando que rache ou lasque facilmente;
- pigmentos (ou corantes) e partículas brilhantes para dar cor e alguns efeitos de brilho;
- E para evitar que estas partículas se acumulem no fundo do frasco, os fabricantes adicionam ainda, espessantes tixotrópicos.
As substâncias tixotrópicas são  muito viscosas em repouso, mas tornam-se mais fluídas quando se agitam.
Ah! E nos bons vernizes temos ainda filtros de ultra-violeta para que o sol não altere a cor dos pigmentos.
Todos estes componentes são dissolvidos num solvente volátil, como o acetato de butilo ou o acetato de etilo, que evaporam após aplicação do verniz, deixando a película brilhante e colorida sobre a unha. É a estes solventes que devemos o característico cheiro a ….verniz!
E não vale a pena ter receio de tantos compostos químicos com nomes estranhos. De facto, ao longo dos anos as maiores alterações à fórmula do verniz de unhas foram introduzidas por questões de segurança, com alguns ingredientes prejudiciais à saúde a serem retirados ou substituídos, pelo que, pode dizer-se que os atuais vernizes para as unhas são receitas químicas testadas e perfeitamente seguras.
A química na ponta dos seus dedos, a trazer  mais charme à sua vida!


Episódio da série A Química das Coisas

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Uma bica, por favor

Aqui fica mais uma sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.


O termo "bica" surgiu na Brasileira do Chiado. Esta cafetaria fundada em 1905 vendia o "genuíno café do Brasil", bebida ainda pouco apreciada na época. Para a divulgar, davam-na a beber aos clientes. Foi um sucesso e, em 1908, a Brasileira abriu uma sala de café, novidade que rapidamente se tornou ponto de encontro das elites. Diz-se que, em resposta a reclamações sobre a qualidade do café servido em cafeteiras, o proprietário mandou que o tirassem diretamente da bica (do saco), ficando com um sabor e aroma mais intensos. O café é apreciado pelas características organolépticas e poder estimulante. Este deve-se à cafeína que, em moderação, dá bem-estar e energia, facilita a digestão e combate cefaleias. O creme sobre a bica reflete a sua qualidade e retém os aromas. Sabia que já foram identificados mais de 800 compostos no aroma do café?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A Química do Sono



Todos sabemos a importância de uma boa noite de sono. O que nem todos sabem é que alternância entre o dormir e estar acordado resulta da ação combinada de diversas substâncias químicas no nosso cérebro.
E entre as mais importantes estão a adenosina e a melatonina, duas substâncias com um papel muito ativo na regulação do sono.
A adenosina é um produto secundário do consumo de energia pelo corpo. Os cientistas pensam que a ela se vai acumulando no nosso corpo ao longo do dia, gerando a sensação de cansaço e sonolência que marca o início do processo do sono, sendo depois removida enquanto dormimos, para acordarmos frescos como alfaces! É por isso que adormecemos mais facilmente depois de um dia cansativo e porque nos sentimos cansados quando não dormimos o suficiente!
Um dos mais fortes indícios deste papel da adenosina, é a sua competição com a cafeína. A cafeína liga-se aos mesmos recetores do cérebro que a adenosina, impedindo-a de atuar, o que explica porque é que a cafeína pode impedir-nos de adormecer. Imagine que colocamos pastilha elástica numa fechadura cuja chave é a adenosina; acabamos por conseguir abrir a porta, mas só depois de umas horas a limpar a fechadura.
A melatonina, por seu lado, é uma hormona produzida pela glândula pineal, uma estrutura no interior do cérebro. A presença de melatonina no cérebro inibe o estado de alerta e contribui para que o sono se instale.
A produção de melatonina é extremamente sensível à luz: é estimulada pelo aproximar da noite, mas é inibida logo que a retina deteta luz. A mais pequena luminosidade já reduz a produção de melatonina, o que explica porque começamos a acordar quando o sol nasce, ou porque há pessoas que só conseguem adormecer em completa escuridão.


Episódio da série A Química das Coisas

terça-feira, 28 de agosto de 2012

E vai de refresco!

Neste tempo quente, apetece um refresco. Aqui fica a sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.

Da arte caseira de fazer refrescos surgiu o capilé! Tão antigo é, que a sua receita surge no Cozinheiro Moderno, de 1780. O capilé é feito a partir de xarope de avenca, um pequeno feto herbáceo, a que se adiciona água, gelo e casca de limão. Por sua vez, para se obter o xarope, faz-se uma infusão de folhas de avenca picadas em água, adiciona-se açúcar e leva-se ao lume até atingir o ponto desejado. Finalmente aromatiza-se com água de flor de laranjeira. O objetivo da infusão é extrair da planta as moléculas das substâncias que lhe conferem aroma e propriedades terapêuticas. As folhas são picadas para destruir a sua estrutura celular e tornar mais fácil e eficiente a penetração da água e a extração. O açúcar conserva o extrato, impedindo o desenvolvimento de microrganismos. Apesar de já saber a receita, vale sempre a pena descobrir o sabor do capilé num dos belíssimos e renovados quiosques de Lisboa como o da Praça das Flores ou do Príncipe Real.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Há caracóis!

Antes que termine a época dos caracóis, aqui fica a sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.

Todos os anos, de abril a setembro, é possível encontrar nos restaurantes de toda a cidade letreiros que dizem “Há caracóis”. Os lisboetas gostam de petiscos e, entre estes, os caracóis têm um lugar de eleição, acompanhados por uma fresca cerveja. Estes moluscos são consumidos pelo Homem desde o Paleolítico. De facto, são uma presa fácil, já que se deslocam a uma velocidade de cerca de 5 metros por hora. No entanto, a razão principal para o seu consumo deve-se ao facto de serem um alimento muito nutritivo, rico em proteínas (aproximadamente 16%) e sais minerais como o cálcio, ferro, magnésio, zinco e cobre. Os caracóis têm também a grande vantagem de serem de digestão fácil e muito pouco calóricos, pois o seu teor de gordura e hidratos de carbono é muito reduzido. Numa tarde de verão aproveite para fazer uma pausa e deleitar-se com um dos sabores mais típicos da cidade.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Química do Álcool


Algumas substâncias químicas estão tão ligadas à nossa vida ou à nossa civilização que já nem nos referimos a elas como… substâncias químicas. É o caso da substância-tema de hoje, é um álcool, o etanol. Faz parte de uma família numerosa, que inclui membros como o metanol (que é venenoso) ou o etilenoglicol, usado como anticongelante. O etanol é o único da família produzido para consumo humano desde os alvores da civilização – razão pela qual é conhecido simplesmente por…álcool.
A química do álcool no nosso organismo – que é o mesmo que dizer “os efeitos do álcool sobre o nosso organismo” – já é bastante conhecida. Contudo, ainda existem muitos mitos associados ao álcool – por exemplo, o mito de que o álcool aquece. Na verdade, o álcool é um vasodilatador periférico, isto é, aumenta o afluxo de sangue à periferia do corpo: às mãos, aos pés, ao rosto, e toda a pele em geral. Em situações de exposição ao frio, o nosso corpo protege-se afastando o sangue dessas zonas periféricas, mantendo-o quente no interior do corpo, junto a órgãos essenciais como o coração. O álcool contraria essa medida de segurança do nosso corpo, levando o sangue quente até às extremidades – o que resulta na tal sensação de calor, mas que pode também resultar na morte por hipotermia!
Mas o álcool é um bom exemplo de que é a dose que faz o veneno. O consumo moderado de álcool não é considerado prejudicial. Há mesmo estudos que sugerem que o álcool consumido em pequenas quantidades tem efeitos positivos sobre o aparelho cardiovascular. Já o consumo excessivo está claramente associado a problemas que incluem – entre muitos outros – a hipertensão, a demência prematura, a falência do fígado e problemas de desempenho sexual. A escolha é sua…


Episódio da série A Química das Coisas

Estamos em plenos Jogos Olímpicos... é tempo de falar de química e de desporto.



Estamos em plenos jogos olímpicos e todos acabamos por ver alguns desportos. Já reparou certamente que alguns atletas, em particular os que praticam ginástica e levantamento de pesos, põem na pele um pó branco. O mesmo fazem as pessoas que praticam escalada.
Sabe o que é esse pó branco e porque se aplica? O objectivo é remover a humidade da transpiração e tornar a pele menos escorregadia. Há alguns anos esse pó era a mesma substância do giz que usamos para escrever, era CaCO3, obtido de calcite mineral natural. Esta é uma rocha sedimentar que se forma em zonas marinhas profundas pela acumulação gradual de placas muito pequenas de calcite produzidas por micro-organismos chamados cocolitóforos. Um bom exemplo destas rochas são as Falésias de Dover de que já falámos.
Actualmente,  na maior parte dos casos, esta substância foi substituída por outra, também um pó branco e macio, com propriedades muito semelhantes, o carbonato de magnésio - MgCO3. O carbonato de magnésio pode ser extraído da natureza onde ocorre como um mineral,  ou produzido através de uma série de processos químicos. O carbonato de magnésio tem muitos outros usos, por exemplo, em pastas de dentes, na composição de extintores de incêndio, em cosméticos,  como  agente de secagem e até como laxante.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Puxe a brasa à sua sardinha

Já que estamos em tempo de sardinhas, aqui fica a sugestão do Roteiro "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e da Tecnologia" do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.


Muito do encanto de Lisboa provém das suas tradições. A sardinha assada é uma delas. À semelhança das castanhas assadas no inverno, as sardinhas são um prato obrigatório no verão, particularmente nos “Santos”, quando os bairros populares, como Alfama, se enchem de alfacinhas à sua procura. A sua fama remonta ao séc. XVIII quando a sardinha assada era vendida por vendedores ambulantes por toda a Lisboa. Rodeavam-nos os clientes, trazendo o seu pão, e ali fazendo as refeições a bom preço. As espécies de sardinha fornecem proteínas de elevado valor biológico, vitaminas e diversos minerais. Sendo peixes gordos, são ainda ricos em ácidos gordos polinsaturados, nomeadamente os ómega 3, que são benéficos para a saúde cardiovascular. Fora da época, pode encontrá-las em conservas, que são fabricadas em Portugal desde 1880. Delicie-se a comer sardinhas, a sua saúde agradece!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e Tecnologia - Sabores da Cidade

O Pavilhão do Conhecimento lançou uma série de roteiros genericamente designados "Em Lisboa, à Descoberta da Ciência e Tecnologia".


O roteiro mais recente (e em que colaborámos) denomina-se Sabores da Cidade e é assim apresentado:


Os sabores de Lisboa baseiam-se nos produtos locais e no jeito próprio de os trabalhar, mas também no que trouxeram aqueles que aqui aportaram. Lisboa sempre foi um ponto de encontro de gente vinda de todo o país ou dos quatro cantos do mundo, trazendo consigo novos hábitos e culturas. Mas foi também daqui que partiram para o mundo sabores e técnicas gastronómicas bem portugueses, de que são exemplos a tempura e o bolo kasutera japoneses, prováveis descendentes dos nossos peixinhos da horta e do pão-de-ló.
Todos os pratos têm a sua ciência e muitas vezes exigem uma mão experiente que nem sempre se apercebe da semelhança do seu trabalho com a de um químico no laboratório, produzindo emulsões, extraindo aromas, concentrando soluções ou convertendo uns compostos noutros. Falar dos sabores de Lisboa é também falar dos processos físicos e químicos que os tornam possíveis e tão apetecíveis. Afinal, a culinária é uma arte com muita ciência.

http://www.pavconhecimento.pt/noticias/index.asp?id_obj=1628

domingo, 29 de julho de 2012

A Química e os Jogos Olímpicos


Para comemorar os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres, investigadores no Reino Unido sintetizaram uma molécula formada por cinco anéis interligados a que chamaram Olimpiceno por se parecer com o símbolo olímpico.



A molécula foi sintetizada por Anish Mistry e David Fox da Universidade de Warwick,  mas foi Graham Richards, ex-presidente do departamento de química da Universidade de Oxford e membro da Royal Society of Chemistry que teve a idéia de sintetizar esta molécula para comemorar os Jogos Olímpicos.
 
Em colaboração com investigadores da IBM, que em 2009 foi pioneira no desenvolvimento da técnica de microscopia de força atómica sem contato para obter imagens de moléculas individuais, conseguiram obter a imagem da molécula sintetizada que mostra a estrutura formada por anéis ligados entre si que lembram os anéis olímpicos. 



Quando questionado relativamente às aplicações desta molécula, o Prof Richards disse que moléculas deste tipo poderão eventualmente ter uso comercial, mas que acima de tudo o objectivo foi atrair o  interesse pela química, através da ligação às Olimpíadas, e que espera que a maior contribuição do Olimpiceno seja interessar mais jovens em estudar química. 

Fonte: http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-18206015

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Uma abordagem da cozinha baseada no conhecimento científico faz a diferença

Cozinhar com qualidade e inovar exige cada vez mais um conhecimento profundo dos alimentos e processos culinários. Também aqui a química tem um papel fundamental, como já várias vezes referimos.

Há alguns meses saíu um livro cujo objetivo foi analisar e explicar técnicas e processos culinários, dos mais tradicionais aos mais inovadores, tendo como base conhecimento científico de várias áreas. São 6 volumes, 2400 páginas, que tratam os mais variados assuntos e sugerem receitas aplicando estas técnicas.

Um livro muito virado para quem pratica cozinha, mas que pretende ter uma abordagem profunda. Cada vez é mais consensual que uma abordagem da cozinha baseada no conhecimento científico pode fazer a diferença em termos de qualidade e eficiência de trabalho.




sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Química dos Computadores Portáteis

Pode parecer que um vulgar computador portátil e a química vivem em mundos diferentes, mas na verdade a própria existência dos portáteis apenas é possível graças a importantes desenvolvimentos da química.


domingo, 8 de abril de 2012

A Química na Arte XXXVIII

Colesterol




Paracetamol


Loes Modderman
http://www.scienceart.nl/


Todas estas imagens são obtidas através de um microscópio de polarização.
Eles são produtos químicos
cristalizados, a área de superfície fotografada é cerca de 1 mm².

sábado, 31 de março de 2012

São horas do chá das 5 ... e da sua química (I)

Sentada numa esplanada em Lisboa, no Rossio, observo o movimento na praça:

Em cima da mesa tenho um chá, um simples chá! Mas  afinal o simples chá, não é assim tão simples...

Tal é bem demonstrado pelas regras para fazer um bom chá:

1 – Aqueça água fria.  Se a água da torneira é dura, Use água filtrada ou mineral.

2 - Enquanto a água está a aquecer, encha o bule com água quente, deixe aquecer, e escorra-o completamente.

3 – Ponha no bule 1 colher de chá  de chá para cada chávena. Algumas pessoas, especialmente as que tomam leite com o chá, adicionam uma colher extra para o bule. Se usar um infusor, não o encha demasiado.

4 - Para chá preto, deixe a água ferver e retire-a logo do lume.

5 - Para chás verdes e brancos, retire a água do lume antes de começar a ferver, 74 -77 ºC. Ou adicione 1 parte de água fria para 4 partes de água a ferver. 


6 – Encha o bule com a água, tape o bule e deixe o chá abrir durante o número correcto de minutos, dependendo do tipo de folha.  Em geral, para os chás pretos 4 a 5 minutos e para os chás verdes não mais de 3 minutos. 

Fique atento... nas próximas semanas vamos discutir algumas das razões (químicas) para estas regras. A química do chá é bem interessante!

Embalagem em atmosferas modificadas


Em muitos dos alimentos que consumimos o ar no interior da embalagem foi substituído por outras misturas de gases - embalagem em atmosfera modificada ou atmosfera protectora. Esta técnica é usada para prolongar o tempo de vida e manter a qualidade dos alimentos. De facto, permite:

- Preservar o aspecto, cor, sabor, textura, cheiro...
- Minimizar a utilização de conservantes.
- Evitar ou retardar as degradações enzimáticas e microbianas.
- Criar embalagens mais atractivas e sugestivas.       

Os gases utilizados são normalmente aqueles que existem na atmosfera, mas que no interior da embalagem se encontram em proporções diferentes daquelas em que estão no ar.

A composição das misturas de gases usados dependem do alimento e do tipo de mecanismos de degradação. Em geral:

O oxigénio (O2 ) – está presente em quantidades reduzidas para evitar reacções de oxidação, um factor significativo nos processos de deterioração dos alimentos  e o desenvolvimento de micro-organismos aeróbicos.

O dióxido de carbono (CO2 ) - é usado por ter um efeito bacteriostático, retardando o desenvolvimento de bactérias.

O azoto (N2 ) – tem como função deslocar e substituir o oxigénio e, sendo um gás muito inerte, não vai causar alterações nos alimentos. O facto da embalagem estar "bem cheia" de gás ajuda ainda a proteger alimentos frágeis de serem quebrados ou esmagados.

Podem nalguns casos ser usados também gases nobres ou concentrações elevadas de O2. O tipo de atmosfera modificada depende muito das características do alimento.